segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Poemas esquecidos

Saudades (me roubastes de mim)
ao som de Luz dos olhos

Não sinto saudades

quando não te vejo.

Mas sim, quando não te sinto.

Me faz falta essa tua essência divina,

brincando de seduzir minha alma.


Não sinto saudades

quando não ouço tua voz.

Mas sim, quando não ouço teu suspiro

gemido ao pé do meu ouvido,

ludicamente pedindo por mais.




Não sinto saudades

quando não te tenho amiga.

Mas sim, quando não és amante ávida

se deleitando em meu corpo,

confundindo-o por querer sua vida.


Mas hoje,

não te vi, nem ouvi, nem fui tua amiga

ao menos

e me senti vazia de mim mesma

porque você não sente saudades minhas

nunca.


Eu sei bem que é porque me dei toda a ti!

E me levaste de mim,

pra fingir que és minha só porque sou tua.

é por isso que sempre tenho saudades suas...


...é porque você nunca se deu pra mim.



Traição
ao som de we never change

Nas macias costas marfim dela,

escrevo palavras sujas de nós dois.

Pois não basta eu cair em teus abismos,

parece o destino continuar teu escárnio sobre mim.


Vens cheio de suas lagrimas bêbadas,

pensas que eu me afundarei em ti:

Tuas mentiras pessimamente dissimuladas de angústia

me enganam mais pessimamente ainda.


Tuas epifanias de cinco minutos

ecoam horas de inquietação penosa.

Sou a primeira dentre os nomes

que procuram por saber o mínimo de ti,

mas você sempre vem e se entrega

todo para mim.


Se dá fácil e dolorido...


...Como eu me dou a ela.


Tenho pena por nós:

doídos e rejeitados e traídos

e se vingando em si mesmos

e procurando uns aos outros e

esperando, sempre esperando

o gosto doce e o gosto agro

o alívio arrastado de dor

e de pena que temos de nós mesmos

desse amor mentiroso que vivemos...


Não há como terminar algo inacabado, meu querido... acabei de notar!

2 comentários:

  1. Pera, vou comentar direito depois, que bom saber que você escrevia nesse tempo, que bom...

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  2. "Sou a primeira dentre os nomes

    que procuram por saber o mínimo de ti..."

    Não é mais cara Nina.

    "Não há como terminar algo inacabado, meu querido... acabei de notar! "

    Isso o que espero...
    Em geral o seu texto é uma poesia doída como vc mesmo disse, desde o momento em que escreve e que termina você me parece não querer começar nem acabar. Esse tempo me rendeu lágrimas e não era o tempo em que vivia e sim o que lia. Muito bonito e verdadeiro

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