Ao som de keeps me warm (Ida Maria)
És lírio em pele, garota, menina minha, mulher do mundo, pro mundo. Te quero assim, toda verdade. Mas como esse texto, você só me vem aos poucos, nunca se dá inteira a mim. Eu, eu quem mais te quis e te quer, quem tenta desleixadamente te conquistar, ludicamente sincera no que sinto. Eu sinto que és tu quem preenche meu vazio e o contemplas ao mesmo tempo.
Pois eu sei q você sente falta do inominável, do rubro de sua pele, do bordeaux do sangue. Eu sou seu maior deleite, a fissura pura que a admira. Sabes bem como me entrego, e sabes bem. Sabe bem do meu medo mascarado medonhamente da sua hesitação. E como tu hesitas. Maravilhosamente em passos de fada perdida em mágica onírica. Você é puro sonho, minha menina. E eu te tenho sonhando comigo todas as noites.
Nem esse teu grito revestido de silêncio te dissimula tão bem, meu bem. És inaudível pra todos que te tocam, mas só eu enxergo a tua música ferida, tua melodia ambígua deliciosamente confundindo meu desejo de ter tua carne toda dentro de mim. Carne minha. Tua carne docemente agra. Eu te quero do jeito mais inocentemente pecaminoso, porque tu és isso: esse desejo escondido de pureza, esse flerte desmedido e culpado por provocar meus maiores arrepios. Arrepios coloridos. Só podem ser coloridos de neon.
Eu te provo ávida por mais. Minha maior provação e redenção és tu, e serás minha redenção à mim. Serei toda por ti. Não te assustas com o que digo. Sou toda medo perto de ti, aliás. Te trato por meu cristal quando sei bem que és esmeralda irradiando tua fortaleza. E bem que eu queria que não fosses pedra, mesmo que preciosa. Porém, tu és o que és, e eu bem que mudaria por ti. O problema é que bem sabemos que o meu te querer bem é mais forte do que eu mesma.
Acho que meu confronto agora em terminar este texto é que eu perdi nossa poesia. Nos perdemos da nossa poesia, na verdade. Eu pensei que éramos a sorte de um amor tranqüilo, mas você deixou nossa fruta ser mordida por outros. Não ligue pro meu melodrama, você sabe bem como sou, e agora que sabe, não quer mais de mim, mais do desassossego intensamente emanado do meu querer-te. Nunca tenho como saber se é isso mesmo, você se treva nesse silêncio, atormentando meus devaneios obcecados em te desvendar. Acabei de descobrir que não és minha menina, mas que é mulher do mundo, indesvendável que és.
Minha menina, me mantém o desejo aquecido?
"Eu quero descansar no teu peito
ResponderExcluirO cansaço dessa vida
E o peso de ter que ser alguém
Eu já não sei o que faço meu bem
Nem o que farei...
Mas se você quiser e vier
Pro que der e vier comigo
Eu posso ser o seu abrigo
Mas e se você não quiser
Eu posso ser um qualquer inimigo
Mas só quero que saiba meu bem...
Esteja sempre comigo...
Eu quero encontrar a minha paz
Que eu já não sei dos perigos
que essa vida me traz...
Só sei que a gente inventa amor,
e dor e tudo que nos satisfaz..."