Ouço o barulho entorpecente da cidade.
três meninas de saia passam por mim e eu sinto uma gota de suor escorrer levemente pela minha pele umedecendo minha blusa...levemente.
Então me alieno...meu perfume doce me tonteia alegremente, porque hoje eu não quero enxergar minha realidade, especialmente hoje. Minha realidade me rebate na face cansada e doída, alma doída, coração quebrado.
Alieno-me para não me rasgar por inteira.
E hoje o dia é tão belo e quente. Calor confortante me invade...Será que consegue me curar ? das minhas vergonhas, das minhas quedas em abismos de sujeira colorida (colorida mesmo, porque negro seria muito clichê)
as vezes me afundo porque quero não evitar, mas hoje quero paz de espírito, paz efêmera que me ponha livre por um instante infinito e insanamente inconsciente.
Sinto o batom fresco em meus lábios, que sede por beijar...ósculo profundo que sossegue esse anseio ansioso por sonho.
Forço a aliteração, forço meu desejo e minha dor. Meu Deus, como me forço! Me forço hoje a ser falsa força, força dissimulada pois é só porque me alieno e esqueço que hoje, neste dia, sou forte.
Então, colo um lábio no outro mais uma vez e ponho o pulso embebido em perfume perto do nariz e faleço criando um microcosmo novo e quebradiço que durará um dia, uma noite, um instante falido!
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